domingo, 9 de agosto de 2015

maria augusta



eu quase que me lembro
dos teus dias de verão,
as rugas na tua mão:
toda a inocência
que jamais fora em vão.
eu quase que me esquivo;
nestes dias tão vazios,
súbita vontade,
quase morro de saudade:
cadê você nessa cidade?
e as tuas sardas,
quase fartas,
que teu corpo gritou,
esperneou
e dançou pra nós
quando já não ouvíamos mais
a tua voz.
eu quase que me esqueço,
mas me lembro ao entardecer:
não fala mais
o som da tua tevê.
calou quando teu olho fechou
e você desviou
de nossos passos,
nossos traços
e fugiram de nós
os teus abraços.
eu quase que sorrio
que o teu cheiro
às vezes cresce,
como se você
ainda estivesse,
mas teu rosto nunca aparece
e enquanto estes versos
carecem teu amanhecer,
a falta da tua luz, aqui, padece.
e não desaparece mais:
me desprendo,
tento de todo jeito,
mas minha embarcação
é quase nada
se não é mais você
meu cais.
eu quase que me acostumo,
mas sem você
perdi o rumo,
e às vezes eu nem durmo.
mas também
às vezes sonho:
fecho os olhos
e suponho;
quem sabe um dia
haja a alegria de cruzar,
em algum canto no céu,
qualquer samba triste
com a tua alegoria.
eu juro,
me desfaleceria
de euforia por estar,
mais uma vez,
na felicidade
da tua companhia.

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