Azul não precisa ser
assim, tão triste. Azul é a cor do mar; é o infinito em busca do qual navego. E
as velas que são sopradas sem rumo por um vento de gosto quase verde, também
não sabem esconder seu grito tão azul.
Amarelos são meus
passos e os dela, mais verdes que o tal vento que sopra as tais velas. Se
nossos passos se juntam, somos azuis. E há, aí, os caminhos que se enchem de
luz.
Azul é o sorriso que
salta da ponta de meus dedos ao se entrelaçar aos dela. E eu persigo estes
traços no descaso da saudade que brilha e se destaca em azul numa cidade tão
cinza. Que o desgosto pelos dias de outras cores é tamanho que pinto minh'alma
de azul e danço sozinha ao som de qualquer silêncio que seja tão azul quanto
eu.
Azul é meu pranto no
instante em que me pego distante do que é tão meu.
Azul é poesia de
dias tristes, pra trazer de volta o sentido e fazer girar o mundo.
Eu recomeço.
Respiro. Conto os segundos. Eu mergulho. Que a chuva que beija meu rosto é mais
azul que os beijos que ela não me deu.
Eu reconstruo.
Inspiro. Passam os anos. Eu me afogo. Que meu coração nasceu de outra cor. Que
não há como remediar e já não faz mais diferença. Azul é a cor do mar. Eu me
sinto em casa.
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