domingo, 9 de agosto de 2015

IV (sobre o parque que nunca foi meu lugar)


Azul não precisa ser assim, tão triste. Azul é a cor do mar; é o infinito em busca do qual navego. E as velas que são sopradas sem rumo por um vento de gosto quase verde, também não sabem esconder seu grito tão azul.
Amarelos são meus passos e os dela, mais verdes que o tal vento que sopra as tais velas. Se nossos passos se juntam, somos azuis. E há, aí, os caminhos que se enchem de luz.
Azul é o sorriso que salta da ponta de meus dedos ao se entrelaçar aos dela. E eu persigo estes traços no descaso da saudade que brilha e se destaca em azul numa cidade tão cinza. Que o desgosto pelos dias de outras cores é tamanho que pinto minh'alma de azul e danço sozinha ao som de qualquer silêncio que seja tão azul quanto eu.
Azul é meu pranto no instante em que me pego distante do que é tão meu.
Azul é poesia de dias tristes, pra trazer de volta o sentido e fazer girar o mundo.
Eu recomeço. Respiro. Conto os segundos. Eu mergulho. Que a chuva que beija meu rosto é mais azul que os beijos que ela não me deu.

Eu reconstruo. Inspiro. Passam os anos. Eu me afogo. Que meu coração nasceu de outra cor. Que não há como remediar e já não faz mais diferença. Azul é a cor do mar. Eu me sinto em casa. 

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