domingo, 9 de agosto de 2015

extensão (um dia descubro de qual planeta você veio)



deságuo teus passos,
me desfaço
e não meço espaço:
só de te pensar,
traço o traço em sorrisos
que clareiam
e rodopiam
estes versos tão incertos que,
quisera eu um dia,
fossem uma canção.
mas dai parto do instante
que não sei cantar
nenhuma rima incessante
ou qualquer letra distante
pra te aproximar.
menino,
nasci sem nada
que logo vinha você
pra me completar.
e se tu demorasse,
ah!, eu é que não
aguentaria esperar:
voaria o universo
a fim de te buscar.
e te trago pra tão perto,
deixo assim,
meu peito aberto,
porque tudo que teu dizer
traz é certo,
faz brilhar a alma que carrego
nesse corpo tão disperso:
eu vivo todo teu universo!
menino,
nasci descalça
pra sentir sob os pés o concerto
e saber traduzir teu dialeto.
que eu não desdenharia jamais
de nosso laço:
linha tênue,
tão mais bonita,
que vem e fica,
e liga meu coração ao teu.
ah, menino!,
que de tão finda entre nós
é essa extensão...
me vi poeta pra declamar
até depois do fim
a pureza desse riso bobo
que a tua existência
causa em mim.

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