domingo, 9 de agosto de 2015

V (sobre sono e abraço)



Foi azul. Propício. Como se o tempo estivesse pendurado ali todo o tempo, só esperando acontecer. Como se nossos dedos fossem entrelaço desde antes do primeiro passo. Eu não esperava que ela fosse bater na porta outra vez; não tão já. Mas ela veio como um sopro, e eu abri. E então eu viajei, voei longe, como quem não tem pressa nem hora pra voltar. Eu voei longe e nem sei onde fui parar. Mas lá em cima, lá em algum lugar e por um instante que pareceu durar tempo suficiente pra me preencher da felicidade mais bonita, o infinito dos pontos brilhantes foram tão meus que o universo todo coube nas minhas mãos. E tudo era tão bonito, tão claro. Tão azul.
Azul como o cafuné no cabelo comprido e interminável da menina do sorriso bobo. Que, a propósito, me sorriu o sorriso bobo e fechou os olhos. Viajou comigo.
A voz dela que me chamou, o corpo dela que cantou pra mim, o cheiro dela que me recitou versos: tudo tão azul no espaço entre quatro paredes que pareceram tão infinitas.
Os beijos que ela dançou pra mim, o vazio ausente nos gestos dos abraços que a alma dela registrou em mim... Tão azuis quanto o compasso do coração dela explodindo no peito e o meu silêncio pela sintonia de nossos corpos que nunca havia parecido mais certa.
Eu viajei pra dentro d'uma estrela ao mesmo tempo em que minhas mãos seguravam, firmes, todas as galáxias do universo. Eu viajei pra dentro d'uma estrela e quis me perder ali, pra não ter que ir embora nunca.

Eu viajei pra dentro da estrela mais bonita e brilhante e cresci, me tornei mais azul. Azul feito aquela noite em que ela se aninhou no meu abraço a dormiu. Azul feito aquela manhã em que a vi ainda mais bonita do que poderia imaginar. Azul feito a vontade de estar ali pra sempre. 

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