quinta-feira, 16 de julho de 2015
regresso (diminutos minutos em que te olhei triste)
É como partir da Terra aos poucos. É difícil respirar na exosfera. Meu coração que dança contornando tua órbita: satélite natural que nem telescópio sabe ver. Queria teu canto, só ouço meu pranto: grito surdo que viaja na velocidade da luz e foge da tua galáxia. Teus sinais que captam quaisquer outros astros, que a calda do cometa que me tem é tão diminuta - não basta nem pra fingir ser estrela cadente e sumir no horizonte sendo desejo teu.
sexta-feira, 10 de julho de 2015
XI - marina, parte I
A saudade aperta o
peito.
É azul.
Não sinto minhas
mãos,
Meus pés quase já
não tocam
Mais o chão.
Desapareço.
Inspiro desespero,
Suspiro o vazio.
É cada vez mais
azul.
O descanso dos
olhos,
O cansaço da voz.
Adormeço no caos,
Almejo despertar no
cais.
Meu encanto
Se dissipa com o
vento
E a canção, por
pouco,
Não se perde no
tempo,
Mas eu ouvi.
Ouvi quando ela
cantou pra mim,
Tão bonita assim,
Me chamando pra
morar
No fundo de si.
Que invada, então,
As paredes do meu
coração.
E que me conte os
segredos
Da tua imensidão.
Azul.
Tão azul
Que meus olhos
marejam
E eu navego.
Rumo ao teu
encontro,
Marina.
Que teu cheiro me
parta ao meio
A alma.
Que teu gosto em
meus lábios resista
Até que meus pulmões
desistam.
Eu corro.
Eu voo, se precisar.
Existo na atmosfera
tão cinza
Mal conseguindo
respirar
A hora de segurar
tua mão.
Eu fujo.
Eu morro, se
precisar.
Só quero tua calma
revolta,
Tua cura em mim.
Ah, Marina!
Se tu soubesse,
Meu corpo,
Minha casa,
Que sinto tamanha
saudade,
Invadiria a
cidade,
Me levaria de volta
Pra tua eternidade.
E eu...
Que nunca mais seria
só metade.
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