sexta-feira, 10 de julho de 2015

XI - marina, parte I


A saudade aperta o peito.
É azul.
Não sinto minhas mãos,
Meus pés quase já não tocam
Mais o chão.
Desapareço.
Inspiro desespero,
Suspiro o vazio.
É cada vez mais azul.
O descanso dos olhos,
O cansaço da voz.
Adormeço no caos,
Almejo despertar no cais.
Meu encanto
Se dissipa com o vento
E a canção, por pouco,
Não se perde no tempo,
Mas eu ouvi.
Ouvi quando ela cantou pra mim,
Tão bonita assim,
Me chamando pra morar
No fundo de si.
Que invada, então,
As paredes do meu coração.
E que me conte os segredos
Da tua imensidão.
Azul.
Tão azul
Que meus olhos marejam
E eu navego.
Rumo ao teu encontro,
Marina.
Que teu cheiro me parta ao meio
A alma.
Que teu gosto em meus lábios resista
Até que meus pulmões desistam.
Eu corro.
Eu voo, se precisar.
Existo na atmosfera tão cinza
Mal conseguindo respirar
A hora de segurar tua mão.
Eu fujo.
Eu morro, se precisar.
Só quero tua calma revolta,
Tua cura em mim.
Ah, Marina!
Se tu soubesse,
Meu corpo,
Minha casa,
Que sinto tamanha saudade,
Invadiria a cidade, 
Me levaria de volta
Pra tua eternidade.
E eu...

Que nunca mais seria só metade. 

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