domingo, 19 de abril de 2015

II (veracidade)

a saudade que é toda alma em mim
e inexiste em teu corpo.
não machuca teu rosto
e eu não sei ocupar meu gosto
de um jeito torto
com qualquer desculpa
pra te arrancar de mim.
e meus olhos gritam
e o peito arde,
irreconhecível.
como se meus dedos nunca mais
pudessem entrelaçar os teus.
espero demais.
e só o que me supera
são os passos incertos
que tentam,
em vão,
ensurdecer minha lembrança de você.
que eu não quero esse amor
morando em mim.
que eu não quero tua luz
seguindo a mim.
porque a embarcação segue,
sozinha,
como há muito é.
não tem você,
porque você não me é.
porque você não me quer.
porque persigo a sombra
que teu cheiro
deixou em mim. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário